martes, 22 de febrero de 2011

Dalton



"Era uma vez um camaleão que não tinha jeito para as cores, aliás era mesmo daltónico. Sempre que era preciso mudar, mudava para a cor errada. Isto trazia muitas complicações e perigos, tanto para si como para o seu bando de camaleões, que já nem o podiam ver nem castanho, nem verde, nem amarelo, não o podiam mesmo ver a certa altura, porque ele era demasiado visível!, sempre mal camuflado... empurrando o pobre do Dalton para uma triste solidão. É que ele não acertava nunca, por ser daltónico e também trapalhão. Um dia, ao regressar com outros camaleões ao seu arbusto, duma festa de casamento onde tinham comido muito bem e bebido melhor, sopa de moscas azuis, a rara aranha da areia que só tem seis olhos como prato principal (não se come o veneno), soufflé de mosquito, pudim de formiga voadora, tudo regado com suco fermentado de gafanhoto... o Dalton vinha triste da festa porque casara a Maria Colorida, tão bonita, a camaleoa com a pele mais áspera do Algarve..."

Livro: Deixem passar o homem invisível
Autor: Rui Cardoso Martins

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