miércoles, 22 de abril de 2015

Pan, tierra... y libertad



   
     "Bajo toda esta podedumbre externa conspiraban secreta y muy activamente las fuerzas del viejo régimen, que no habían cambiado desde los tiempos de la caída de Nicolás II. Los agentes de la famosa Ojranka seguían actuando a favor y en contra del zar, a favor y en contra de Kerenski, en una palabra, a favor de cualquiera que les pagase... Actuaban en la sombra organizaciones clandestinas de toda especie, como, por ejemplo, las centurias negras, tratando de restaurar la reacción en una u otra forma.

      En este ambiente de corrupción general y de monstruosas verdades a medias dejábase oír días tras día una sola y clara nota del creciente coro de los bolcheviques: "¡Todo el poder a los Soviets! Todo el poder a los verdaderos representantes de millones de obreros, soldados y campesinos. Pan, tierra, fin de la insensata guerra, fin de la diplomacia secreta, de la especulación, de la traición... ¡La revolución está en peligro y con ella la causa general del pueblo en todo el mundo!"

Libro: Diez días que estremecieron el mundo
Autor: John Reed

martes, 9 de diciembre de 2014

Aleivosia



   "Invadia-o, porém, uma tristeza absurda. A de haver perdido um grande afecto. A de se ter gasto em vão. Como se tivesse consciência de estar-se malbaratando, desfazendo-se aos bocados. Descaía-lhe a cabeça sonolenta. Mas não era sono. Era uma necessidade recóndita de se furtar a si próprio, que ele já conhecera e desmascarara noutros momentos de crise: falsa voltade de dormir só para se eximir a viver."

Livro: Exilio Perturbado
Autor: Urbano Tavares Rodrigues

miércoles, 19 de noviembre de 2014

Aviário





 - Pronto! descobri: é um aviário. Olha-me para aquela mesa de honra: o que para ali vai de mochos, de corujas, de falcões, de cacatuas!... Tu já tinhas dado alguma vez pela existência desta colecção cá na casa?

- Não, Lício  -respondeu desmorecidamente Manuel João. Aquele primeiro aniversário da Acção não correspondia, nem pouco nem muito, ao que ele sonhara e vivera de antemão. Claro que era só a parte mundana, uma coisa puramente simbólica... e que al simbolizada!... Logo à entrada notara a separação as "castas": uma mesa para a redacção, outra para a administração, outra para a tipografia... e a Outra, que era a dos "deuses" e dos seus favoritos. Aquelas faces toscas de financeiros, de arranjistas, de adventícios! Um dos absurdos lógicos da vida: o éxito daquela espécie humana tão tacanha e desinteressante..., os argentários. Os "espertos". Incapazes, no entanto, fora das cifras, quase sempre, de dizerem três palavras, sem arriar bojarda. Não achas, Lício?

- Acho: acho que os falhados é que são as pessoas interessantes, em geral.


Livro: Os insubmissos 
Autor: Urbano Tavares Rodrigues


lunes, 15 de septiembre de 2014

Livros = revolução




     "Sou filho e neto de bandidos. O meu avô era anarquista e pertencia às guerrilhas republicanas. Quando não andava a meter bombas em igrejas, andava a fuzilar falangistas. O meu pai passou metade da vida a fugir dos patetas a quem vendia terras que não eram dele. Ou terras que nem sequer existiam.
       
       E tu, fazendo jus à tradição da família, deste em bibliotecário. 

       Em certo sentido, sou o mais radical de todos. Lido com a matéria-prima da trafulhice e da revolução. Já leste o Quixote? Ou o Maquiavel?"


Livro: Biografía involuntária dos amantes.
Autor: João Tordo


lunes, 25 de agosto de 2014

Sempre gostei mais de ler do que de escrever



"Quando tinha dezoito anos queria ser advogado, mas depois li Bioy Casares e decidi que queria ser escritor. E depois pus-me a ler Borges e percebi que nunca conseguiria escrever ficção, ou que aquele filho da puta já tinha escrito tudo o que havia para escrever, e decidi ser advogado outra vez."

Livro: Biografia involuntária dos amantes
Autor: João Tordo


miércoles, 20 de agosto de 2014

O espanhol



Bem parado
ja não me toma
aqui o mar

Vou à praia e
recolho umas pedras
que se vão deixando
lá por casa
mas não ligo

O mar é muito grande
eu amarrei nele com força
mas a vida vai-se esfrangalhando
e é só isso


(Mais uma "bucha" de Hugo Milhanas Machado)

jueves, 7 de agosto de 2014

Me casé con un comunista




  
     "No os oigo más que frases denigrantes, y no sólo estáis en contra de los negros, sino de los trabajadores, del liberalismo, de la inteligencia. Estáis en contra de todo cuando redunda en vuestro interés. ¿Cómo es posible que uno se pase tres o cuatro años en el ejército, vea morir a sus amigos, resulte herido, su vida se desorganice y, sin embargo, no sepa por qué ha ocurrido y cuáles son las razones de todo eso? Lo único que sabéis es que la junta de reclutamiento dio con vosotros. ¿Sabéis qué os digo? Vosotros duplicaríais las mismas acciones de los alemanes si estuvierais en su lugar. Podría requerir algo más de tiempo, debido al elemento democrático de nuestra sociedad, pero al final seríamos completamente fascistas, con dictador y todo, a causa de la gente que echa por la boca la misma mierda que vosotros. La discriminación del alto mando que dirige este puerto ya es bastante mala, pero vosotros, que procedéis de familias humildes, que no levantáis cabeza, que sois sólo pasto para la línea de montaje, para la fábrica donde os explotan, para las minas de carbón, hombres sobre los que el sistema se orina: salarios bajos, precios altos y beneficios astronómicos, y resulta que sois un puñado de cabrones acusadores de comunistas, vociferantes y fanáticos que no sabeís...

      Y entonces les decía todo lo que ellos no sabían."

Libro: Me casé con un comunista
Autor: Philip Roth