lunes, 30 de enero de 2012

Guerras


   "Las nubes se desplazaban lentamente hacia el sur. Por muchas nubes que fluyeran, siempre aparecían otras, y otras más. Sin duda alguna, en las lejanas tierras del norte había una inagotable fuente que las proveía. Allí, una gente empecinada, ataviada con gruesos uniformes grises, fabricaba nubes en silencio de la mañana a la noche. Igual que las abejas fabrican miel, las arañas fabrican telarañas y la guerra fabrica viudas."

Libro: 1Q84 (Libro 3)
Autor: Haruki Murakami

sábado, 21 de enero de 2012

The writer

   

"Então minto-lhe para nos mantermos juntos. Para mantermos, enfim, algum tipo de equilíbrio. As histórias ajudam. Não me perguntes porquê, mas, quando começo a contar-lhe histórias, as coisas entre nós melhoram logo. Pensavas que eu tinha deixado de escrever ficção, mas não é verdade. Eu continuo a escrever ficção. O meu público agora resume-se a uma pessoa, mas essa pessoa é a única que realmente conta."

Livro: Leviathan
Autor: Paul Auster

sábado, 7 de enero de 2012

(Para além do) ADAMASTOR


          "Imaginei-o a encolher os ombros e a olhar para as luzes lá longe, do outro lado do rio. Estavam nos antípodas. Da mesa, do mundo e um do outro também.

           Ela casada. Ele solteiro. Ela ancorada. Ele farto de viajar, de correr o mundo, de viver em locais remotos da terra, nas montanhas em casas de pedra sem electricidade no meio da natureza. E desafiava:
- Há sempre um preço a pagar pelas opções que tomas. Tás a ver? Podes virar à direita ou à esquerda. Escolheste virar à esquerda? Azar. Morreste ali...

          Só queria ter visto a cara dela nesse momento mas, se me virasse, seria o fim. Ia ter de continuar a imaginá-los.

          A empregada passou por mim e sorriu. Eu devia estar com um ar um bocado fora de ali. Reparei então que ainda não tinha tocado na cerveja. Dei um golo para disfarçar. Senti as orelhas a arder por ser um "voyeur". Um expectador da vida alheia. Mas logo me recompus: Afinal, se os pintores se podiam inspirar na natureza, como poderei eu evitar escutar a voz humana? Lembrei-me de ir sentado no "Metro" a ouvir as conversas e a imaginar a vida daquelas pessoas.

          Ele continuava a falar:
- Eu paguei o preço em solidão.

          E ria-se, enquanto eu imaginava o o ar dela a tentar disfarçar o desconforto que as palavras dele lhe provocavam ao revelarem sem pudor aquilo em que a vida dela se havia transformado. Quando teria sido ao certo o momento da sua morte?  Tentou em vão lembrar-se do momento em que havia escolhido virar à esquerda.

         Ele não. Estava só, mas não lhe parecia pesar a solidão. Ele é que tinha abandonado todos. Estava por sua conta e risco e parecia dar-se bem com tal situação:
- Free... lance... dizia ele entre risadas"

Livro: Biografia não autorizada
Autor: João Moura