martes, 31 de julio de 2012

EXPLOTACIÓN



     "Sabemos que el tipo de la supervalía depende, en primer lugar, del grado de explotación de la fuerza obrera. Hemos supuesto siempre, al tratar de la producción de la supervalía, que el obrero recibe el justo valor de su fuerza. Sin embargo, los cercenamientos hechos a este valor juegan en la práctica un papel muy importante. Este procedimiento transforma en cierto modo el fondo de consumo necesario para el sustento del trabajador en fondo de acumulación del capitalista. La tendencia del capital es también reducir los salarios todo lo posible y eliminar del consumo obrero lo que él llama lo superfluo."

Libro: El capital
Autor: Karl Marx

lunes, 30 de julio de 2012

QUARENTA DIAS




     "Hoje sei que o meu raciocínio não passava de uma grosseira imitação dos meus sonhos. Mas eu amava Sophia e precisava de acreditar que esse amor era mais real do que a realidade. Naquela altura pensava que a realidade sempre arranjava maneira de viver fora de nós, tão longe como se esse longe não existisse ou a sua incerta luz jamais nos pudesse alcançar. Durante aqueles quarenta dias experimentei o acre calafrio da angústia, o receio de perdê-la da noite para o dia. Descobri assim que a sensação de incerteza assenta quase sempre na posse, e, assim, aquele que nada possui não deve ter outra preocupação que não seja encontrar uma fimbria de esperança ou de luz nas trevas, alheio às ciladas do desassossego. Só quem teme perder alguma coisa -porque já a tem e a posse se supõe ser transitória, peregrina e mutante- se instala nesse turvo território onde nada se sustém."

Livro: Cinzas de Abril
Autor: Manuel Moya

jueves, 12 de julio de 2012

SENTENÇA




"Chamada ao tribunal, a Memória pôs-se a evocar as esperanças, os desejos, os sentimentos com que eu me deleitava desde a noite anterior e o estado de espírito em que vivía há quase quinze dias; quando chegou a vez da Razão, esta, com a voz serena, fez uma narração muito simples, em que explicava como eu havia desprezado a realidade, para me embriagar do ideal. Então eu lavrei a seguinte sentença:
Nunca, sob a rosa do sol, houvera maior insensata que Jane Eyre; nunca mais fantástica idiota se deixara embalar por mais doces mentiras, ingerindo veneno como se fosse néctar."

Livro: Jane Eyre
Autor: Charlotte Brontë

domingo, 17 de junio de 2012

AS DERROTAS


74
"Mas o meu pai aprendeu a lição. Pagou juros altíssimos
 por um mau investimento, mas regressou
 à cadeira ainda com vontade de se levantar.
 As derrotas devem surgir
 enquanto somos novos e fortes, pois aí os insucessos
 fortalecem, enquanto mais tarde poderão enfraquecer.
 Uma derrota no tempo certo é aquilo que
 te fará vencer no tempo certo. E estes
 podem ser dois tempos ou um. Parece-me.

75
A intensidade com que se é esmagado não importa,
de facto o que importa é a intensidade que nos resta
depois de sermos esmagados.
... "

Livro: Uma viagem à Índia
Autor: Gonçalo M. Tavares

lunes, 30 de abril de 2012

LEITORES



   "Por vezes creio que os bons leitores são cisnes ainda mais tenebrosos e singulares que os bons autores...
    ... Leer, para já, é uma actividade posterior à da escrever: mais resignada, mais cortês, mais intelectual."

Livro: História Universal da Infâmia
Autor: Jorge Luis Borges

domingo, 22 de abril de 2012

Traição


" - Mas, o meio?... o meio?   -disse Fernando.
  - Ainda  o não achou?
  - Não; isso é consigo.
  - É verdade  -tornou Danglars-  os franceses têm sobre os espanhóis essa superioridade: os espanhóis reflectem, e os franceses inventam.
  - Pois então invente  -disse Fernando com impaciência.
  - Tragam papel, pena e tinta!  -gritou Danglars.
  - Papel, pena e tinta!  -exclamou Fernando.
  - Aqui tem  -disse o criado, trazendo o que fora pedido.
  - Quando penso  -disse Caderousse, deixando cair a mão no papel-  que aqui está quanto basta para matar um homem com maior certeza do que se o esperassem no meio dum bosque para o assassinar!... Sempre tive mais medo duma pena, dum frasco de tinta e duma folha de papel, do que duma espada ou duma pistola.
  - O manganão não está tão bêbado como parece  -disse Danglars.-  Deite-lhe mais vinho, Fernando."
Livro: O conde de Monte Cristo
Autor: Alexandre Dumas

 

lunes, 9 de abril de 2012

O tempo



     "O tempo não dura sempre o mesmo. Uma noite pode ser mais curta ou mais longa que outra noite de igual número de horas. Aquele que não acredite em mim, que o pergunte a um farmacêutico de apelido Coria, que vive no Rosario. E isso não é tudo: o presente pode juntar-se, por qualquer descuido, com o passado e, se calhar, com o futuro. Os relatos de muitos visionários de boa-fé não me deixarão mentir."

Livro: O herói das mulheres
Autor: Adolfo Bioy Casares