miércoles, 20 de agosto de 2014
O espanhol
Bem parado
ja não me toma
aqui o mar
Vou à praia e
recolho umas pedras
que se vão deixando
lá por casa
mas não ligo
O mar é muito grande
eu amarrei nele com força
mas a vida vai-se esfrangalhando
e é só isso
(Mais uma "bucha" de Hugo Milhanas Machado)
jueves, 7 de agosto de 2014
Me casé con un comunista
"No os oigo más que frases denigrantes, y no sólo estáis en contra de los negros, sino de los trabajadores, del liberalismo, de la inteligencia. Estáis en contra de todo cuando redunda en vuestro interés. ¿Cómo es posible que uno se pase tres o cuatro años en el ejército, vea morir a sus amigos, resulte herido, su vida se desorganice y, sin embargo, no sepa por qué ha ocurrido y cuáles son las razones de todo eso? Lo único que sabéis es que la junta de reclutamiento dio con vosotros. ¿Sabéis qué os digo? Vosotros duplicaríais las mismas acciones de los alemanes si estuvierais en su lugar. Podría requerir algo más de tiempo, debido al elemento democrático de nuestra sociedad, pero al final seríamos completamente fascistas, con dictador y todo, a causa de la gente que echa por la boca la misma mierda que vosotros. La discriminación del alto mando que dirige este puerto ya es bastante mala, pero vosotros, que procedéis de familias humildes, que no levantáis cabeza, que sois sólo pasto para la línea de montaje, para la fábrica donde os explotan, para las minas de carbón, hombres sobre los que el sistema se orina: salarios bajos, precios altos y beneficios astronómicos, y resulta que sois un puñado de cabrones acusadores de comunistas, vociferantes y fanáticos que no sabeís...
Y entonces les decía todo lo que ellos no sabían."
Libro: Me casé con un comunista
Autor: Philip Roth
miércoles, 8 de enero de 2014
Olhar para ti
"Não estou a exagerar. Se alguém me obrigasse a olhar para si vinte e quatro horas por dia o resto da minha vida, acredite que não levantaria qualquer objecção."
Livro: Viagens no Scriptorium
Autor: Paul Auster
viernes, 3 de enero de 2014
Valor
"Tinha a excitação e a rapidez de pensamento que aparecem nos homens antes de uma batalha, de uma luta, nos momentos perigosos e decisivos da vida, nos momentos em que um homem mostra de uma vez por todas o seu valor e que todo o seu passado não foi em vão, mas a preparação para esses momentos."
Livro: Anna Karénina
Autor: Lev Tolstoi
domingo, 10 de noviembre de 2013
Álvaro
"Sala 3". Terceiro andar da cadeia.
Num topo, a entrada. Um gradão de ferro e uma porta chapeada.
Depois, um enorme compartimento, tendo, de um lado, três janelas gradeadas para a rua e, do outro, a entrada para um comprido refeitóiro que, por mais uma janela gradeada, espreitava para um beco, onde a vizinhança estendia a roupa a secar.
Do refeitóiro, uma porta para lavabos e retretes.
Durante o dia, com os bailiques levantados e encostados às paredes, a "sala" era um espaço vazio para o pessoal circular.
À noite, para se deitarem, os presos arreavam os bailiques e estendiam-nos em duas longas filas, uns junto aos outros, quase sem intervalos.
Livro: Sala 3 e outros contos
Autor: Manuel Tiago
viernes, 27 de septiembre de 2013
O povo unido....
- ... de acordo? Por exemplo, o barco existe porque um rico deu dinheiro para o construir. Mas, mover-se-ia sem marinheiros e fogueiros? No mar, existem milhões de caranguejos. Por exemplo, fizeram-se muitos preparativos e para isso, é certo, houve um rico que soltou a massa. Mas se nós não trabalharmos, vêem um único caranguejo a entrar no bolso de um rico? Compreendem? Quanto dinheiro é que nós ganhámos a trabalhar este Verão? Os ricos, com este barco, tiram entre quatrocientos mil e quinhentos mil ienes limpos, por cabeça. E de onde sai esse dinheiro? De zero não se tira nada. Não o percebem? Deve-se tudo à nossa força. Ou seja, não façam agora essa cara sombria de moribundos. No fundo são eles que têm medo de nós. Não nos amedrontam.
Se não houvesse marinheiros e fogueiros, o barco não navegaria. Se os operários não trabalharem, não entra nem um cêntimo no bolso dos ricos. O barco que dei como exemplo foi comprado e equipado com o dinheiro que se obteve espremendo o sangue a outros trabalhadores. Com o dinheiro que nos roubaram..."
Livro: O Navio dos Homens - Kanikosen
Autor: Takiji Kobayashi
martes, 24 de septiembre de 2013
Liderança
"Antes da merenda, um grupo de colegas mais novos começou, sem motivo aparente, a fazer buracos num monte de terra fresca. Edgar encontrou um pedaço de uma fita métrica de pedreiro e decidiu começar a fiscalizar a profundidade dos buracos, que todos os rapazes escavavam com afinco e de forma espontânea. Teodoro, ajoelhado à frente do seu pequeno buraco, reparou que Edgar tinha adquirido uma posição determinante no grupo, porque toda a gente quería que ele aferisse a profundidade da sua cova, com aquele fragmento metálico de medição e alguns começaram mesmo a chamar-lhe engenheiro. Ora Teodoro, que tinha sido distingido com a melhor nota a Matemática, não podia tolerar aquilo, especialmente em Edgar, um dos piores alunos da turma. Teodoro é que deveria ser o engenheiro e jamais as circunstâncias poderiam alterar o que estava escrito no quadro de honra, por isso deixou de escavar, aproximou-se de Edgar, e já um poco envergonhado pelo que ia fazer, disse-lhe a meia-voz, "ouve lá, tu não podes ter essa responsabilidade, tiveste sempre negativa a Matemática e só passaste porque estudaste comingo!"
Teodoro não concebia que, para além do saber fundamentado, outros factores pudessem alterar o curso dos acontecimentos e sobretudo que alguém sem uma dedicação total à escola pudesse ultrapassar quem tinha as melhores notas. Não podia aceitar que Edgar, na prática, pudesse ocupar um posto mais elevado do que ele, apenas pela estratégia da antecipação. Edgar olhou para ele e penso que não valia a pena argumentar, atirou com a fita metálica para o lado e viro-lhe as coas um pouco magoado.
Teodoro, recém-empossado no cargo a que achava ter direito, tomou posse da fita métrica e voltou-se para o grupo para continuar a tarefa, à espera que lhe pedissem conselhos para a obra. Antes de qualquer pedido formal, começou a ditar algumas ordens e subitamente, tal como tinha surgido, o interesse pelos buracos perdeu-se. Talvez porque quase todos tinham já atingido a profundidade equivalente ao tamanho dos seus braços e, aos poucos, todos acabaram por abandonar aquela posição curvada, com as mãos na terra, para se dirigirem a outros interesses.
Teodoro ficou a olhar para a fita métrica inútil na mão direita, apenas com dois ou três buracos activos de retardatários que ainda não tinham reparado onde se situava a acção. Edgar tiha descoberto uma amendoeira podre que abanava por todos os lados e que era boa para mandar abaixo e fazer uma fogueira. Edgar estava encarregado de dizer onde se devia fazer força e qual a intensidade a aplicar".
Livro: Trás-os-Montes
Autor: Tiago Patrício
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