"Sala 3". Terceiro andar da cadeia.
Num topo, a entrada. Um gradão de ferro e uma porta chapeada.
Depois, um enorme compartimento, tendo, de um lado, três janelas gradeadas para a rua e, do outro, a entrada para um comprido refeitóiro que, por mais uma janela gradeada, espreitava para um beco, onde a vizinhança estendia a roupa a secar.
Do refeitóiro, uma porta para lavabos e retretes.
Durante o dia, com os bailiques levantados e encostados às paredes, a "sala" era um espaço vazio para o pessoal circular.
À noite, para se deitarem, os presos arreavam os bailiques e estendiam-nos em duas longas filas, uns junto aos outros, quase sem intervalos.
Livro: Sala 3 e outros contos
Autor: Manuel Tiago
