Mostrando entradas con la etiqueta coragem. Mostrar todas las entradas
Mostrando entradas con la etiqueta coragem. Mostrar todas las entradas

viernes, 3 de enero de 2014

Valor



"Tinha a excitação e a rapidez de pensamento que aparecem nos homens antes de uma batalha, de uma luta, nos momentos perigosos e decisivos da vida, nos momentos em que um homem mostra de uma vez por todas o seu valor e que todo o seu passado não foi em vão, mas a preparação para esses momentos."

Livro: Anna Karénina
Autor: Lev Tolstoi

domingo, 10 de noviembre de 2013

Álvaro



   "Sala 3". Terceiro andar da cadeia.

   Num topo, a entrada. Um gradão de ferro e uma porta chapeada.

   Depois, um enorme compartimento, tendo, de um lado, três janelas gradeadas para a rua e, do outro, a entrada para um comprido refeitóiro que, por mais uma janela gradeada, espreitava para um beco, onde a vizinhança estendia a roupa a secar.

   Do refeitóiro, uma porta para lavabos e retretes.
   Durante o dia, com os bailiques levantados e encostados às paredes, a "sala" era um espaço vazio para o pessoal circular.

   À noite, para se deitarem, os presos arreavam os bailiques e estendiam-nos em duas longas filas, uns junto aos outros, quase sem intervalos.


Livro: Sala 3 e outros contos
Autor: Manuel Tiago


lunes, 4 de marzo de 2013

Sair da rotunda



   "Nem sempre Aaronson esteve morto.  
    Num certo período, Aaronson foi mesmo, sem exagero, um ser vivo.
    Entre os vinte e sete e os trinta anos Aaronson circulava -como um insecto obcecado- em torno de uma rotunda.
    Todas as manhãs, um homem era visto, entre as sete e as sete e meia, a contornar a rotunda principal da cidade. rotunda onde desembocaba sessenta por cento do tráfego.
    Às sete da manhã o fumo dos automóveis era menor do que ao fim da tarde, porém, mesmo assim, havia fumo, metal e ainda a velocidade de alguns automóveis. E ali, no meio, correndo risco de vida, um homem dava centenas de voltas à rotunda. Aaronson.
    Qualquer hábito, qualquer repetição de um acto por mais absurdo que seja, rapidamente é absorvido: o excepcional transforma-se em poucas semanas; em certas circunstâncias bastam dias para que o monstruoso e o informe se faça normalidade e hábito. No limite: facto a que não se dá atenção, paisagem.
    Entre as sete e as sete e meia, os automobilistas que por hábito passavam pela rotunda já sabiam que, também por hábito, um homem, vestido a rigor com calções e camisola de atleta, circulava por ali. Centenas e centenas de vezes em redor da mesma rotunda, como um carro que não soubesse o caminho, que hesitasse entre seguir por uma direcção ou outra; que se deixasse estar por ali, à roda, não arriscando, não tomando uma opção. Enquanto estiver na rotunda não estou perdido, pelo menos não volto atrás. E eis um dos atractivos daquela circulação, circulação quase infinita não fora ela terminar com exactidão às trezentas voltas: em redor de uma rotunda ningém volta atrás, ninguém se engana, ninguém tem de assumir o erro e fazer inversão de marcha. A vida, apesar de tudo, é fácil. Numa rotunda.
    Ninguém gosta de ser humilhado e Aaronson (se fosse um automóvel) pelo menos não entrava na estrada errada. Trezentas voltas para ganhar balanço e depois o regresso a casa. Não arrisques! -parecia alguém dizer-lhe ao ouvido.
    Falemos brevemente da rotunda: uma circunferência perfeita. Diâmetro: impossível saber ao certo, mas era exacto -um número sem arredondamentos.
    Aaronson entre os vinte e sete e os trinta anos, no período em que corria entre as sete e as sete e meia da manhã à volta da rotunda principal da cidade, foi considerado apenas um louco previsível -o que é ser metade de um louco pois a previsibilidade divide o perigo em dois.
    Alguns dias depois de fazer trinta anos deixou, no entanto, de fazer a sua corrida na rotunda.
    Deixaram de o ver. E deixaram de o ver porque Aaronson morreu. E a cidade envergonha-se tanto de um corpo morto que, no máximo, numa hora, o corpo desaparece. Se alguém quiser ver o corpo morto que se dirija pois ao sítio em causa, naquele período mínimo em que o morto está morto em plena cidade."

Livro: Matteo perdeu o emprego.
Autor: Gonçalo M. Tavares


lunes, 15 de noviembre de 2010

Encruzilhada


"A vida, como os touros, acaba sempre por investir contra nós, e então a gente tem de escolher: ou se mexe ou fica quieta. Claro que também podemos tentar enganá-la, fingir que vamos fazer uma coisa e depois fazer outra".

Livro: A Arte de matar dragões.
Autor: Ignacio del Valle.