lunes, 6 de agosto de 2012

Voyage, voyage


"O Verão de 1987 foi diferente. Anunciava mudança. Tenro nos meus 15 anos, não só conheci a minha primeira namorada, Laia, uma catalã nacionalista de Girona, como era a primeira vez que sozinho viajava fora das fronteiras de Portugal. Rumei a um desses campos de educação ambiental que, para nossa sorte, teve o santuário andaluz de El Rocío como cenário.

Muito me familiarizei com as marismas de Huelva, com a Blanca Paloma e com a impressionante fauna do Parque Nacional de Doñana, um luxo ibérico.

Não obstante, a grande revolução na minha vida tinha epicentro em França. Ou Bélgica, nunca percebi bem. Enquanto nos pátios traseiros ensaiávamos alguns passos de sevilhana, os radialistas da Cadena Ser insistiam num sórdido braço-de-ferro: Voyage, voyage. A canção, passava no éter a cada 10 minutos. Adolescentes encantados, deslumbrados entre dois beijos nos lábios, e não esquecer a beleza dos crespúsculos de Junho nem os acampamentos promíscuos em Matalascañas, estacávamos.

Voyage, voyage: a fantasia era colectiva."

Livro: Choque cultural
Autor: João Lopes Marques

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