sábado, 16 de julio de 2011

Contos

   "Por cinco centavos entregava versos de memória, por sete melhorava a qualidade dos sonhos, por nove escrevia cartas de namorados, por doze inventava insultos para inimigos irreconciliáveis. Também vendia contos, mas não eram contos de fantasia, mas longas histórias verdadeiras que recitava de enfiada sem saltar nada."
Livro: Contos de Eva Luna
Autora: Isabel Allende

lunes, 11 de julio de 2011

Relógio



   "Para me sentir menos só pus-me a olhar para o mostrador do meu relógio. Eram sete menos dez. Muito tempo depois, para aí umas duas ou três horas, eram sete menos cinco."

Livro: Relato de un naúfrago
Autor: Gabriel García Márquez

viernes, 24 de junio de 2011

Refúgio


   "... e para que servia um lar se um cão não se sentia seguro nele, se um cão era tratado como um pária precisamente no local que deveria ser o seu refúgio? Não estava certo encerrar uma alma numa caixa escura. Era isso que faziam depois de morrermos; mas enquanto estivéssemos vivos, enquanto houvesse en nós um resto que fosse de vida, tínhamos o dever -perante nós mesmos e perante tudo o que havia de sagrado neste mundo- de não nos vergarmos a tais indignidades. Estar vivo significava respirar; respirar significava ar livre; e ar livre significava tudo menos ..."

Livro: "Timbuktu"
Autor: Paul Auster

sábado, 11 de junio de 2011

Spanish Evolution










   "O mais absoluto desespero pode coexistir com a mais fascinante criatividade; a entropia e o florescimento andam a par. Como já nos resta tão pouco, não deitamos nada fora, e as pessoas acabam por dar um novo uso a determinados materiais que, outrora, desprezavam como lixo. Tudo isto tem a ver com um novo modo de pensar. A penúria obriga a mente a soluções inovadoras, e damos por nós dispostos a alimentar ideias que, anteriormente, nunca nos teriam ocorrido."

Livro: No país das últimas coisas
Autor: Paul Auster

martes, 7 de junio de 2011

Esplendor de Portugal


   "A labuta prosseguiu, mas dolorosa e veloz, até que a buza da Fábrica Grande, qual sineta de alarme, pôs em debandada os garotos. Enquanto uns se estenderam de borco na margem do río, outros, que moravan longe, correram para casa, tão depressa quanto lhes permitiam as pernas trôpegas.
    Dorido, a coxear, Gaitinhas foi ao canto do forno, onde deixara o saquitel de pão com azeitonas; mas o almoço tinha levado sumiço. Procurou em redor; mirou a comida dos companheiros, sentados à sombra. Depois, fitando o chão, acocorou-se também com os cotovelos fincados nos joelhos e a cabeça entre as mãos.
    Sagui apareceu, todo besuntado de lama.  - Não comes, Gaitinhas?
    - Roubaram-me a saca...
    - Já espreitaste aqueles gajos ali?
    - Já, pois. Mas são tantos a comer pão e azeitonas...
    - Deixa. Eu reparto contigo. "

Livro: "Esteiros"
Autor: Soeiro Pereira Gomes

martes, 31 de mayo de 2011

Indignação



"Podiam cortar-lhes as mãos e eles continuavam -usavam as próteses para desenharem o seu nome na areia. Podiam enforcá-los e a resposta que eles davam ao mundo no seu derradeiro momento era uma orgulhosa erecção (os homens, as mulheres talvez uma secreção) -seguida de um esguincho de fezes, a sugerir que se estavam borrifando para esta merda."

Livro: "O destino turístico"
Autor: Rui Zink

domingo, 8 de mayo de 2011

Dia "I"


   "Ninguém compreendeu como, por exemplo, todas as 387 silhuetas do Toro de Osborne repartidas pela Red de Carreteras Nacionales, da Corunha a Girona, de Santander a Huelva, de Gasteiz a Mijas, até em Lanzarote e Menorca, amanheceram com um garrafal `i´ pintado no lombo".

Livro: Iberiana
Autor: João Lopes Marques