martes, 7 de junio de 2011

Esplendor de Portugal


   "A labuta prosseguiu, mas dolorosa e veloz, até que a buza da Fábrica Grande, qual sineta de alarme, pôs em debandada os garotos. Enquanto uns se estenderam de borco na margem do río, outros, que moravan longe, correram para casa, tão depressa quanto lhes permitiam as pernas trôpegas.
    Dorido, a coxear, Gaitinhas foi ao canto do forno, onde deixara o saquitel de pão com azeitonas; mas o almoço tinha levado sumiço. Procurou em redor; mirou a comida dos companheiros, sentados à sombra. Depois, fitando o chão, acocorou-se também com os cotovelos fincados nos joelhos e a cabeça entre as mãos.
    Sagui apareceu, todo besuntado de lama.  - Não comes, Gaitinhas?
    - Roubaram-me a saca...
    - Já espreitaste aqueles gajos ali?
    - Já, pois. Mas são tantos a comer pão e azeitonas...
    - Deixa. Eu reparto contigo. "

Livro: "Esteiros"
Autor: Soeiro Pereira Gomes

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