- Birbal -disse Akbar-, como sabes a nossa rainha favorita tem a infelicidade de não existir. Embora a amemos mais que todas, a admiremos acima de todas as outras, e a apreciemos mais que ao próprio
Koh-i-noor, ela está inconsolável. "A tua esposa mais feia, a megera mais rabugenta, continua a ser de carne e osso", diz ela. "No final não conseguirei competir com ela."
O primeiro-ministro aconselhou o imperador:
- Jahanpanah, deveis dizer-lhe que é precisamente no final que a sua vitória será patente aos olhos de todos, pois no final nenhuma das rainhas existirá, tal como ela, ao passo que ela terá gozado de uma vida inteira do vosso amor, e a sua fama ecoará pelas eras adiante. Assim, na realidade, embora seja verdade que ela não existe, é também verdade dizer que é ela a que vive. Se assim não fosse, além, por detrás daquela alta janela, não haveria ninguém a aguardar o vosso regresso.
Livro: A feiticeira de Florença
Autor: Salman Rushdie

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