miércoles, 23 de noviembre de 2011

Fuga


    "Ronda das quatro horas. Luzes acesas. Os dois guardas avançaram sem nada notar de extraordinário. Cada preso coberto pelas mantas. Nenhum movimento suspeito.
   
    Já perto do extremo da "sala", a pouca distância da última janela gradeada, estacaram em pânico. Nas grades, um enorme buraco abria passagem para fora, para a cidade, para o ar livre.

   Soaram agudos apitos de alarme e pedido de socorro. Pistolas em punho, os guardas voltaram-se desorientados para um lado e outro. Os presos acordaram em sobressalto sem perceber o que se pasava.

   Breves instantes e alguns guardas mais, brandindo cassetetes, invadiram a "sala" e bloquearam a saída.

   - Tu aí! - gritaram para Vítor que, coberto pela manta, fingia dormir.  - Não ouves? - insistiram arrancando-o do bailique à pancada.
     - Onde estão os teus camaradas?  -perguntaram ao darem pela falta dos fugitivos.

     A própria pergunta, de tão tola que era, confirmava o êxito da fuga.

   - Não dei por nada - respondeu Vítor. E a alegria era tanta que mal sentia as pancadas brutais, que logo sobre ele descarregaram."

Livro: Sala 3
Autor: Manuel Tiago   

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