"Ronda das quatro horas. Luzes acesas. Os dois guardas avançaram sem nada notar de extraordinário. Cada preso coberto pelas mantas. Nenhum movimento suspeito.
Já perto do extremo da "sala", a pouca distância da última janela gradeada, estacaram em pânico. Nas grades, um enorme buraco abria passagem para fora, para a cidade, para o ar livre.
Soaram agudos apitos de alarme e pedido de socorro. Pistolas em punho, os guardas voltaram-se desorientados para um lado e outro. Os presos acordaram em sobressalto sem perceber o que se pasava.
Breves instantes e alguns guardas mais, brandindo cassetetes, invadiram a "sala" e bloquearam a saída.
- Tu aí! - gritaram para Vítor que, coberto pela manta, fingia dormir. - Não ouves? - insistiram arrancando-o do bailique à pancada.
- Onde estão os teus camaradas? -perguntaram ao darem pela falta dos fugitivos.
A própria pergunta, de tão tola que era, confirmava o êxito da fuga.
- Não dei por nada - respondeu Vítor. E a alegria era tanta que mal sentia as pancadas brutais, que logo sobre ele descarregaram."
Livro: Sala 3
Autor: Manuel Tiago

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