sábado, 17 de septiembre de 2011

TEA




     "No passado, quando me criticavam por fazer perguntas inesperadas, sentia-me envergonhado. Agora percebi-me de que as pessoas normais agem de maneira superficial e muitas vezes falsa. Por isso, em vez de permitir que me façam sentir mal, expresso o meu descontentamento. É a minha forma de tentar marcar um ponto a favor da lógica e da racionalidade.
      As dificuldades de conversação que sinto realçam um problema com que os portadores de Asperger se deparam diariamente. Uma persona com uma deficiência óbvia -a deslocar-se de cadeira de rodas, por exemplo-  é tratada com consideração porque a sua incapacidade é óbvia. Ninguém se vira para um tipo numa cadeira de rodas e diz: "Rápido! Vamos atravessar a rua a correr!" E, como ele não pode atravessar a rua a correr, ninguém lhe pergunta: "Qual é o seu problema?"  Oferecem-se para o ajudar a atravessar a rua.
      Eu, contudo, não exibo qualquer sinal exterior de uma incapacidade conversacional. Por isso, quando dou um passo em falso na conversa, alguém exclama: "Que idiota mais arrogante!"  Espero ansioso o dia em que a minha deficiência me permita desfrutar do mesmo respeito concedido a um fulano numa cadeira de rodas. E, se esse respeito vier acompanhado de um lugar reservado no parque de estacionamento, não direi que não."

Livro: Olha-me nos olhos
Autor: John Elder Robison

No hay comentarios:

Publicar un comentario