miércoles, 27 de abril de 2011



   "Toda a gente quer fazer amor à beira-mar, coberta de espuma, ao som do choro das gaivotas, mas nem sempre é uma maravilha. A areia pode meter-se no fato de banho, a àgua pode sabotar a lubrificação da rapariga, salgando-lhe os lábios como se fossem caras de bacalhau, ou ser tão fria que obrigue os tomates ao recolher obrigatório, deixando a erecção entregue a si própria, tornando um pau febril numa pilinha congelada, dura mas insensível, imitação pobre do `rigor mortis´.  
   Em contrapartida, depois de um bom jantar numa tasquinha escondida na floresta, dobrar um guardanapo bem engomado, enquanto se olha para o amor da nossa vida, pode ser o paraíso."

Livro: A vida inteira
Autor: Miguel Esteves Cardoso

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